Sobre Stop the Wall

"O objetivo da campanha para derrubar o Muro está alinhado com o desejo palestino de libertação - o desejo de quem vive na nossa terra e quem luta no exílio, de pessoas jovens e velhas, de quem já morreu, e de quem ainda não nasceu. Nós somos parte da luta para proteger nosso direito inalienável de existir, não só, mas para recuperar a nossa história e a nossa terra ancestral, e garantir um futuro justo para o povo palestino.A nossa visão é construída sobre a nossa força de vontade e perseverança, que, como as raízes das nossas antigas oliveiras, correm no fundo de nossa luta e continuam a alimentar a nossa resistência. Nós estamos firmemente na convicção de que os princípios básicos da nossa causa não podem ser traídos ou comprometidos. Não vamos abrir mão do nosso direito das nossas terras, e não vamos ficar inertes enquanto uma nova Nakba desce sobre o nosso povo.

O Muro é uma parte integrante do projeto sionista para remover o povo palestino da Palestina. Acreditamos firmemente que ele pode ser demolido, e com ele, as ambições racistas do sionismo. Sabemos que a nossa luta não vai ser ganha amanhã, e nós não estamos com pressa.O nosso caminho é longo, e por isso temos de construir uma base sólida de resistência, com honestidade seguindo os nossos princípios. Geração após geração, temos que oferecer as novas gerações lições, orientação e confiança que precisam e merecem, para que possam continuar a liderar a nossa luta até que um dia seremos livres e capazes de voltar para as nossas casas.

A luta do povo palestino é, em sua essência, um instinto humano básico e um impulso para a auto-determinação. É uma luta contra a expulsão e subjugação sob ocupação. Pedimos ao mundo a reconhecer isso e apoiar o nosso caminho para a libertação, sem impor suas condições sobre este objectivo."
 

O lider da organização "Stop the Wall Campaign", Jamal Juma

 

Desde a sua criação, em 2002, a Campanha palestina popular contra o Muro do Apartheid (ou Stop the Wall) tem sido a principal articulação nacional de base para mobilizar e organizar os esforços coletivos contra o Muro do Apartheid. Baseia-se nos esforços dos comitês populares nas aldeias afetadas pelo Muro onde as pessoas podem-se encontrar, organizar, criar estratégias e mobilizar. Um mecanismo de coordenação em cada distrito da Cisjordânia permite coordenação local bem como a nível da Cisjordânia toda. O escritório de coordenação de Stop the Wall trabalha para garantir a rede nacional, pesquisa e relações internacionais.

Os objetivos imediatos da campanha Stop the Wall foram sancionados pela decisão do Tribunal Internacional de Justiça sobre as consequências jurídicas da construção do Muro (9 de julho de 2004) e são:
 

  •      a cessação imediata da construção do Muro.
  •      o desmantelamento de todas as partes do Muro e suas zonas relacionados construídas.
  •      o retorno de terras confiscadas para o caminho do Muro.
  •      a compensação de prejuízos e perda de renda devido à destruição de terras e propriedades, além da restituição das terras.

 

Salwa, member of "Stop the Wall Campaign"
Salwa, membro do "Stop the Wall Campaign"

 

Stop the Wall considera o Muro como um projeto que é integral à ocupação, colonialismo e apartheid de Israel e, portanto, entende a luta contra o Muro como parte do esforço global do povo palestino para alcançar a auto-determinação, a igualdade e o retorno da população refugiada.

Stop the Wall acredita que, nesta fase, reforçar a resistência popular tem que ser uma prioridade nacional - a luta unida de um povo educado, crítico e mobilizado ativamente contribui para os objectivos globais da luta nacional. Após o fracasso do "processo de paz" e anos de "burocratização" da luta palestina durante o período de Oslo, Stop the Wall trabalha para trazer de volta o protagonismo das bases e incentiva a participação das comunidades agricultoras, dos/das trabalhadores/as, a juventude e as mulheres na tomada de decisão política e ação popular. Stop the Wall exige responsabilidade, participação e transparência na tomada de decisão e implementação da política palestina. As decisões que estão a ser feitas atingem as questões mais fundamentais dos nossos direitos nacionais e humanos e não podem ser deixadas nas mãos de uma pequena elite.

Stop the Wall se articula também, a nível internacional, porque a questão palestina foi criada pelas potências coloniais e até à data o projeto israelense de limpeza étnica e apartheid só é sustentável devido à continuação do apoio internacional. O nosso apelo à justiça e direitos humanos nos conecta com a maioria das pessoas ao redor do globo. Contamos com o seu apoio para desenvolver pressão efetiva sobre as instituições, empresas e governos para responsabilizar Israel e parar o apoio internacional a Israel ocupação, colonialismo e apartheid.

 


Stop the Wall no terreno
 

Ação de resistência popular
Stop the Wall é formada por expressão dos comitês populares contra o Muro e os assentamentos. Organizamos reuniões nas comunidades afetadas e apoiamos os esforços dos comités. Facilitamos as atividades das comunidades contra o Muro e coordenamos acções de resistência popular, manifestações e protestos a nível nacional.

ONG e Mobilização Nacional
Stop the Wall faz um trabalho de articulação a nivel de sociedade civil palestina para a criação e promoção de políticas conjuntas contra o Muro do Apartheid, para que todas as instituições palestinas sejam envolvidos nos mesmos objetivos dentro de um quadro nacional unificado. Incentivamos as ONGs  para apoiar e responder às necessidades das pessoas para resistir a colonização de suas terras e que não se envolvem em projetos que podem ajudar a manutenção da situação criada pelo Muro do Apartheid.

Informação e sensibilização
Desde o início Stop the Wall colocou energia considerável para a recolha de informação e divulgação. As nossas publicações (fichas informativas, apresentações em PowerPoint, exposições de fotografias, boletins informativos, artigos, palestras e livros) documentam a destruição de comunidades palestinas e são ferramentas de mobilização e sensibilização que contribuem para debates em torno da resistência ao Muro do Apartheid e ocupação israelense.
Eles estão disponíveis através do nosso website.

Articulação nacional
Stop the Wall atua como uma plataforma para as forças progressistas e democráticas para se unir e desenvolver ação conjunta. Juntamo-nos aos esforços comuns como uma força fundamental de mobilização durante eventos nacionais, como o Dia da Nakba ou o Dia da Terra. Stop the Wall faz também parte de uma série de coalizões palestinas, como: o Comitê Palestino Nacional pelo BDS (BNC), a Coalizão Cívica para a Protecção dos Direitos palestinos em Jerusalém, a Comissão Nacional para a Comemoração do Nakba.

Apoio ao movimento da juventude palestina
Desde 2006, Stop the Wall tem vindo trabalhando na educação e mobilização de jovens palestinos/as incentivando a construção de mecanismos de tomada de decisão independente e liderança juvenil.

 


Stop the Wall a nível global
 

Mudar a opinião pública
Stop the Wall cria consciência sobre os efeitos do Muro e os assentamentos, a sua ilegalidade e papel dentro do projeto israelense global de expulsão e guetização do povo palestino. Destacamos a obrigação da comunidade internacional a não reconhecer e não prestar qualquer ajuda e assistência às violações israelenses dos direitos do povo palestino e do direito internacional.

Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS)
Stop the Wall tem vindo a trabalhar desde o início na construção e o lançamento do Chamado Palestino pelo boicote, desinvestimentos e sanções (BDS), emitido por mais de 170 organizações palestinas em 09 de julho de 2005, exatamente um ano após da decisão do Tribunal Internacional de Justiça sobre as consequências jurídicas do Muro. Temos sido um das fundadoras do Comitê Palestino BDS Nacional (BNC) e agora fazemos parte da secretaría executiva do BNC. Stop the Wall contribui de forma significativa a nível nacional e internacional para os esforços do BNC. Em particular concentramos nossos esforços em:

     Embargo militar contra Israel:

     A urgência por um fim às relações militares com Israel e o retiro de financiamento do seu complexo militar e de 'segurança interna' é evidente a tudo o mundo que luta no terreno contra o Muro e os assentamentos e que enfrenta a repressão militar israelense. Em memória dos/as mártires da resistência popular, pedimos ao mundo com urgência de agir de acordo com o chamado palestino por um embargo militar obrigatório e global, emitido em 9 de julho de 2011 pelo BNC.

     Parar a Elbit:

     Stop the Wall pede desinvestimentos e boicotes desta empresa israelense que desempenha um papel fundamental na construção do Muro e fornece os drones usados em "assassinatos seletivos", a guerra de 2006 contra o Líbano e os masacres em Gaza em 2008/9 e 2014. Mais de 13 instituições financeiras excluiram a empresa de suas carteiras.

 

     Parar a Mekorot:

 

     A Mekorot é uma empresa israelense deitda pelo estado, responsavel por implementar o "apartheid da água", incluindo o crime internacional de pilhagem de recursos naturais em territorio ocupado, descriminacão contra os palestinianos enquanto grupo etnico, e apoio vital ao projeto ilegal de assentamentos.

È agora tempo de intensificar a pressão nas autoridades publicas para excluir a Mekorot de contratos publicos, e levar a empresa a ser responsabilizada pelo apartheid da água.

     Descarrilar Veolia / Alstom:

     As dois multinacionais francesas estão envolvidas na construção e manutenção de infra-estrutura das colonias em Jerusalém e na Cisjordânia. A campanha global construida por muitas organizações e redes custou Veolia mais de 30 bilhões de dolares em contratos não-assinados.

     Relações com o Sul Global: 

     Stop the Wall acredita que a solidariedade é verdadeiramente global somente se integrar o sul global. Acreditamos na importância da construção de lutas comuns contra o colonialismo, o racismo e a exploração. Além disso, os mercados emergentes no sul são de importância vital para a sustentabilidade económica do apartheid israelense e a participação ativa do sul global no movimento BDS é, portanto, crucial.

Protecção dos Defensores dos Direitos Humanos (DDH)

Israel tem aumentado a repressão contra as pessoas defensoras dos direitos humanos e organizações de direitos humanos, em particular contra as envolvidas na resistência popular contra o Muro e os assentamentos na Cisjordânia e na promoção do movimento global de BDS. Ativistas, comitês e organizações precisam de melhor proteção para que a resistência popular não seja afogada em repressão brutal.A nossa pesquisa mostra que as prisões e violência infligida às pessoas não é acidental, mas segue um padrão estabelecido. Assassinatos e agressões ocorrem em ondas sistemáticas. Algumas aldeias são regularmente invadidas por militares israelenses. Jovens e crianças são presas com o objetivo de extorquir confissões sobre líderes nas comunidades proeminentes que lutam contra o Muro. Ativistas em geral, e a juventude em particular, sofrem continuamente intimidações e ameaças. Ao mesmo tempo, a campanha desenvolvida por Stop the Wall durante os anos 2009/10 já criou a consciência sobre a necessidade de proteção e sucessos pontuais em defesa desses/as ativistas foram alcançados através da pressão internacional e visibilidade. Precisamos continuar a montar pressão para parar Israel na sua repressão brutal da resistência popular.

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