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Palestinian Boycott, Divestment and Sanctions National Committee (BNC)

Depois de pressão da sociedade civil, Bahia cancela acordo de cooperação com empresa israelense Mekorot

As empresas estaduais de águas e saneamento da Bahia anunciaram o fim de seu acordo de cooperação técnica com a companhia de água de Israel Mekorot. A decisão vem após a pressão de ativistas e organizações consonantes ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) que visam a acabar com a cumplicidade brasileira com violações do direito internacional de Israel.

Ativistas e movimentos sociais denunciaram em várias ocasões o acordo assinado no 2013 pela Embasa e a CERB pelo papel da Mekorot no roubo de água palestina. O deputado estadual Marcelino Galo, vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, exigiu uma revisão do acordo. Este processo culminou no cancelamento do acordo, dando força à campanha Stop Mekorot .

Este é o mais recente de uma série de contratos que a Mekorot tem perdido em todo o mundo após pressão de movimentos populares, que denunciaram o seu papel no apartheid da água contra o povo palestino. Pedro Charbel, coordenador de campanhas na América Latina do Comitê Palestino BDS Nacional (BNC), a coligação palestina que lidera o movimento BDS, disse:

"Embasa e CERB acertam em terminar este acordo de cooperação com a israelense Mekorot: O acordo legitimava o apartheid hídrico israelense, sem sequer dar quaisquer benefícios para a Bahia. Hoje Bahia se une a Buenos Aires, Lisboa, Holanda e São Paulo cortando os laços com a Mekorot. Apelamos a todas as entidades públicas para que se desvinculem da Mekorot e acababem com todas as formas de cumplicidade com empresas israelenses e internacionais que lucram com e viabilizam as violações dos direitos humanos do povo palestino."

Grupos da sociedade civil palestina, a campanha Stop the Wall, a União Palestina dos Agricultores e a Coalizão de Defesa da Terra, juntos com parceiros na Bahia, têm alertados movimentos sobre o contrato e o apartheid de água de Israel desde o ano passado. A campanha produziu um cartaz e folheto para explicar as violações israelenses do direito à água do povo palestino e conectá-lo com o próprio legado do colonialismo, genocídio e escravidão no Brasil.

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Levante Popular da Juventude, a Comissão Pastoral da Terra e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), se juntaram às organizações palestinas em uma carta aberta às empresas de água da Bahia instando-as a cortar seus laços com a Mekorot.

Rafat Khandakji, Presidente da União Palestina dos Agricultores, explica:

"Mekorot e outras companhias de água e do agronegócio de Israel exportam suas tecnologias para o Brasil sob o mito da inovação de tecnologia hídrica. A realidade é muito diferente. A verdadeira "inovação" de Israel é seu apartheid hídrico a que empurra palestinos de suas terras para expandir colônias ilegais. Os acordos de cooperação que o Brasil frequentemente assina com essas empresas israelenses serve para encobrir e reforçar estas políticas criminosas."

A oposição à cooperação com a Mekorot foi levantada sob o lema "Da Bahia para a Palestina, que têm sede de justiça" na marcha para os direitos da água, organizada todos os anos em ocasião do Dia Mundial da Água (22 de março) pela Sindae no Estado da Bahia, juntamente com organizações parceiras. A marcha é a maior manifestação em defesa do direito à água na América Latina. Também durante o terceiro Seminário sobre Governação da Água na Bahia, a oposição aos laços com a Mekorot foi resaltada.

Para saber mais sobre o papel da Mekorot nas políticas israelenses ir para www.stopmekorot.org ou ler o Amnesty (2009) relatório "Sede de Justiça: o acesso de palestinos à água restrito".

 

 

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